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05 junho, 2011

Nas ruas do Alto Vera Cruz

"Zebrinha", batizada de Chiquinha, estampou o teaser do Rolé - Cultura e Cidadania

Por Felipe Pedrosa
Há uma semana, nós do "Rolé - Cultura e Cidadania", divulgamos o primeiro teaser do programa, que vai estrear este mês, no You Tube. Depois de diversos acessos, alguns internautas questionaram se o animal que aparece no teaser é realmente uma zebra. Na verdade, não! O senhor, que por falha nossa não lembramos o nome, faz as listras na mulinha, batizada de Chiquinha, há anos e roda diversos bairros da região leste de Belo Horizonte.

Cobrando uma taxa de R$ ,ele permite que crianças, jovens e idosos tirem retrato ao lado, por baixo e sentado na Chiquinha ganhando assim, o seu pão de cada dia. Foi durante essas caminhadas do velho adestrador de "zebras" que o grafiteiro Abhay Charam filmou a artista, que, sem dúvida, chama a atenção por onde passa. Depois de percebemos todo o estrelado da Chiquinha, não tinha como deixá-la de fora da nossa primeira produção audiovisual.

Aproveite os 12 segundos ao lado da "zebrinha" pocotó!


26 maio, 2011

Cultura africana no Alto

Por Marquelle Camargos

Durante a peça "O Negro, a flor e o rosário"
Dança, música e cultura afro-brasileira foi o que apreciamos em nossa segunda visita ao Centro Cultural Alto Vera Cruz. Com roteiro e direção de Maurício Tizumba, a peça “O Negro, a flor e o rosário” contou, cantou e encenou parte da cultura africana. Tizumba, acompanhado de nove atrizes, levou aos moradores do Alto um pouco mais de conhecimento dos povos que são as raízes da história do nosso país.
Maravilhoso chegar ao Centro Cultural em pleno domingo à tarde e encontrar a platéia lotada. Estavam presentes pessoas que dias depois seriam nossos personagens e parceiros para a produção do "Rolé - Cultura e Cidadania", em breve no ar! Dona Pretinha e suas netas, Wellington e seu grupo de dança, o Calanga, jovens que integram os grupos musicais Alto Batuque, Fanfarra e Orquestra de Berimbau e, claro, Dona Isabel. Foi ali que vimos pela primeira vez a nossa poetisa. O desenho dela, usando um colar de pérolas no folder da programação do Centro, não deixaram dúvidas.
A história de vida, a cultura produzida, as superações, a simpatia e a alegria de viver fizeram com que ela se tornasse o personagem central do primeiro programa.
Ao final da apresentação, partimos para os primeiros contatos com as pessoas que, indicadas pelo Wellington, poderiam de alguma maneira contribuir para o projeto.
Público, viu, gostou e aplaudiu no fim da peça
MAURÍCIO TIZUMBA 
O multiartista mineiro começou a carreira há trinta e três anos. Um dos principais apoiadores da arte afro, ele trabalha para manter a herança africana viva e agrega essa cultura nas suas música, danças, passagens pela TV, peças teatrais e produções cinematográficas. Mais infirmações sobre o artista em: http://www.tizumba.com/

23 maio, 2011

A arte da decupagem

Por Markleny Minas


“Escrever é cortar”, já dizia Marques Rebelo. Entretanto, no audiovisual o processo de editar se resulta na arte de cortar e colar. Transformando assim, as cenas do vídeo em uma sequência. O planejamento das imagens e o plano a ser usado, para dar sentido ao programa, é algo minucioso e que tomou boa parte do tempo da equipe do “Rolé - Cultura e Cidadania”.

Quando o grupo se viu diante do vasto material, começou a missão quase impossível de editar o programa. Com mais de duas horas de gravações, tínhamos que montar o "Rolé", que, inicialmente, teria seis minutos. Assim, resolvemos aumentar o vídeo para 10. Mesmo utilizando essa possibilidade de adicionar mais alguns minutinhos, estávamos com o dobro do tempo somente com a entrevista da Dª Isabel. Ou seja, era preciso cortar muito para que as outras cenas do programa entrassem.

Dessa maneira, a pergunta “será que é preciso aumentar mais o tamanho do programa?” tomou conta do pensamento da equipe. A resposta foi unânime: não, pois, como ele será exibido no YOU TUBE corríamos o risco da qualidade do vídeo ser baixa. Além de constatar que mais de dez minutos é muito tempo para você, internauta, ficar assistindo.

Com o “problema”, teoricamente resolvido, era preciso elaborar a vinheta e decidir se era necessária a presença de um apresentador. Sem esquecer, claro, do limite de 10 minutos. “Será que conseguimos?”, vocês devem estar se perguntando. Então, acompanhe o “Rolé – Cultura e Cidadania” nas redes sociais e fique ligado, pois, logo o programa estará na rede.

29 abril, 2011

O anjo nos aponta o caminho

Por Shirley Pacelli 

Dizem que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. Nós comprovamos essa tese. Vários encontros com grupos culturais do Alto Vera Cruz foram marcados e remarcados diversas vezes. O motivo? A turma estava ensaiando pra fazer bonito no desfile de BH. Achamos uma brecha na agenda dos grupos e conseguimos enfim fazer nosso primeiro contato ao vivo com o pessoal no fim de fevereiro. A equipe do “Rolé - Cultura e Cidadania” se reuniu na minha casa, no Santa Tereza, e seguimos para o Taquaril. Taquaril? Como assim? Já explico. O Conjunto Taquaril e o Alto são espécies de comunidades “irmãs”. O Taquaril foi formado por pessoas que não encontraram mais espaço de moradia no Alto e ocuparam o terreno vizinho. O curioso é que as mulheres das famílias é que construíram as casas. Os maridos saíam para o trabalho e elas colocavam a mão na massa, literalmente. Isso para evitar que outro lhe tomasse o terreno.  

Neste dia haveria o lançamento do projeto “Ponto de Memória” no Conjunto. Apresentações musicais, mostra de um vídeo da comunidade há dez anos e um “varal da memória” composto por antigas notícias sobre o local fariam parte da programação. No caminho nos perdemos e quase chegamos sem querer ao mirante do Taquaril (lugar lindo que a gente conta em outro post). Depois de algumas informações no caminho, chegamos à praça. Uma chuvinha fininha começou a cair...  

De longe reconheci Welligton Pedro, mobilizador cultural do Centro Cultural Alto Vera Cruz, o nosso anjo. Já havia clicado ele em apresentações do grupo de dança afro Calanga, quando ainda cobria eventos pela Regional Leste. Debaixo de uma árvore e com seu filho indo e voltando de brincadeiras em nosso entorno, Welligton conversou com o grupo. Em cinco minutos de bate-papo ele nos sugeriu pautas para mais de um programa. Aos poucos nos apontou diversos caminhos e possibilidades de produção.  

A primeira pessoa de quem ele nos falou foi Dona Isabel Carlos, hoje “a nossa poetisa”. Ele nos contou que ela é uma moradora antiga do Alto, que fazia parte das “Meninas de Sinhá” e que apesar de ser semi-analfabeta havia ganhado prêmios com seus versos. Também nos falou de grupos de capoeira, samba na Escola Israel Pinheiro, oficina de cinema “Sabotage” e da turma do grafitti. O Centro Cultural desde o início foi oferecido para sediar os encontros.  

Após a nossa “reunião”, nosso anjo se distanciou para ajudar outras pessoas da organização a montar a estrutura do evento. Mais tarde os homens presentes, Felipe Pedrosa e Bruno Alves, também se juntariam ao grupo para montar uma tenda.

A tarde se foi e com ela também nos despedimos. Muitas outras visitas seriam feitas daquele dia em diante, mas desta vez lá no Alto.

27 abril, 2011

Surge um anjo

Por Marquelle Camargos


Biblioteca do Centro Cultural Alto Vera Cruz
Dar início a um trabalho de campo nunca é fácil. Não seria diferente para nós meros estudantes de jornalismo dispostos a produzir um programa direcionado para uma nova mídia, trabalhando um tema popular: as favelas e aglomerados de Belo Horizonte e região metropolitana, mas com foco diferente daquele apresentado pelos veículos de comunicação tradicionais. As dúvidas começaram quando tivemos que selecionar uma única comunidade para ser o foco do trabalho. Depois de muitas conversas, pesquisas e análises, o Alto Vera Cruz foi escolhido.
Partimos então para a ação e mais uma vez nos deparamos com dificuldades. Com quem falar? O que procurar? Como nossa ideia seria recebida? Mas estas e várias outras perguntas foram respondidas quando entramos em contato com o Wellington Pedro, mobilizador cultural do Centro Cultural Alto Vera Cruz, e, a partir de então, nosso “anjo da guarda”.

Em fevereiro tivemos nosso primeiro encontro com ele na praça Che Guevara, no Taquaril. Lá estava sendo organizado o evento de lançamento do programa “Ponto de Memória do Taquaril*”. Em poucos minutos de conversa nosso “anjo” lançou diversas pautas para o programa e contou de forma simples a trajetória do Alto e do Taquaril, comunidades distintas com histórias entrelaçadas. A partir deste dia Wellington passou a ser nosso elo com a comunidade e os responsáveis por movimentos culturais.

* Os Pontos de Memória foram criados pelo Ministério da Cultura e têm o objetivo de preservar a memória das comunidades e dos diversos grupos da sociedade civil.

20 abril, 2011

Passando roupa pra Dilma


Por Shirley Pacelli
Dona Isabel se olha no livro das Meninas de Sinhá
Pela segunda vez, bati o interfone da casa da nossa poetisa sem avisar que lá estaria. Dª Maria Isabel Carlos, integrante do grupo Meninas de Sinhá,  me recebeu com um sorriso no rosto e pediu que eu entrasse. 
"Estava meio perdida no bairro, querendo ir ao CIAME Flamengo e resolvi passar aqui para pegar as autorizações de imagem e fazer outras”, lhe disse. "Ishi, mas já estou de camisola", me respondeu Isabel, muito vaidosa e preocupada em ficar bonita no vídeo. Para deixá-la mais tranquila, disse que só faria imagens de suas mãos e dos seus livros, principalmente o que conta a história das Meninas de Sinhá.
Rapidamente, Isabel subiu o lance de escadas e voltou com as obras nas mãos. Aproveitei a luz do fim da tarde para filmá-la na área, onde um pôr-do-sol laranja enfeitava o céu. A luz não me esperou e logo se despediu,  mas a conversa com a poeta rendeu. 
Enquanto filmava, Isabel contou que estava passando roupa quando cheguei. O motivo? Ela vai viajar (hoje, dia 20 de abril) para Ouro Preto, com o grupo de cantigas de roda. "Eu vou apresentar pra Dilma", revelou, com seu jeito especial e pausado de falar. "Nossa, você vai conhecer a presidente?", exclamei. "É. A gente deve apresentar na mesma hora que ela, então a gente deve encontrá-la. As outras meninas já foram pra Brasília e já viajaram pra mais lugares, mas eu ainda não tinha ido. É que sempre que posso fico com meu marido. Ele precisa de mim”, explicou Isabel.
Antes de partir, pedi desculpas pelo tempo que havia lhe tomado e ela, como sempre, me ofereceu um cafezinho. No entanto, recusei (somente dessa vez) o convite. Ela precisava deixar tudo pronto para viajar à cidade histórica. Isso sem falar no sono da beleza ser muito necessário, afinal, não é todo dia que se conhece uma presidente!

Serviço

O quê? Apresentação das Meninas de Sinhá
Quando? Amanhã, dia 21, às 10h.
Onde? Centro Histórico de Ouro Preto, região central de Minas Gerais.

14 abril, 2011

Experimentação


Por: Felipe Pedrosa

“Faculdade é um lugar de experimentações”. A frase, que já se tornou clichê no meio universitário, foi a principal motivação para o desenvolvimento do programa “Rolé – Cultura e Comunidade”.  

A ideia de subverter o jornalismo padrão e explorar as produções culturais existentes nos aglomerados de Belo Horizonte, em Minas Gerais, surgiu durante a realização de um simples trabalho na matéria de “Produção e Ancoragem em Televisão”, ministrada pelo professor Elias Santos. A princípio, o programa contava com âncora, repórter e matérias, que se assemelhavam a vídeo clipes. O nome escolhido para a produção era “Lado B – Periférico”, que não foi bem aceito pelos orientadores.

Shirley orientando a gravação
do piloto do programa, em 2010
Depois de finalizarmos o trabalho no segundo semestre de 2010, ainda no sétimo período da faculdade de Comunicação Social, no Centro Universitário Newton Paiva, cada integrante do grupo foi seguindo o seu caminho para o projeto de conclusão de curso. Porém, quatro dos participantes iniciais do programa resolveram continuar com o projeto. Assim, Felipe Pedrosa, Marquelle Souza, Markleny Minas e Shirley Pacelli montaram o anteprojeto, que tinha como foco a produção de um programa que transitasse entre jornalismo televisivo e documentário e fosse veiculado na internet. Foi assim que a experimentação de um trabalho rotineiro de faculdade deu vida ao programa “Rolé – Cultura e Cidadania”, que você poderá acompanhar cada passo do processo de produção neste blog.